Como qualquer jovem qualificado neste país, não filiado em nenhum Partido político, estou desempregado.
De pouco me valeu ter uma licenciatura, feita com esforço e sacríficio e um mestrado, feito com mérito e valor, orientada por um professor competente e capacitado. As minhas certidões não foram passadas a um Domingo, o meu mestrado e licenciatura são legítimas, não tenho dificuldades com o inglês técnico da minha área. Não obstante, estou desempregado, malgrado ter um curriculo recheado de competência e esforço.
Enoja-me enviar curriculos para todo o lado e não ter sequer direito a uma resposta: enoja-me saber que contratam licenciados, ou às vezes nem isso, e a pessoas com qualificações superiores, nem sequer respondem. Enoja-me ver gente que terminou a sua licenciatura com um 10 de média final (!!) e está hoje bem na vida.
Enoja-me ainda mais querer adquirir alguma experiência profissional na minha área e não conseguir. Sou desprezado.
Passei hoje, dia 17 de Dezembro de 2009 pelo Centro de Emprego da minha área de residência. E o que vi enojou-me. Enojou-me ver o desespero estampado nas caras de tantos camaradas licenciados, dispostos a aceitar qualquer tipo de emprego, degradante ou não, mal pago ou não, precário ou não, para simplesmente sobreviverem mais um dia da sua vida. Enoja-me saber que a grande maioria desta gente estará em pouco tempo a trabalhar para os ilustres empresários do nosso país, desperdiçando competência adquiridas ao longo da sua formação. Enoja-me saber que estão assim, graças às políticas de camaradagem deste país.
Enojou-me saber que mesmo para fazer uma coisa simples como tirar um certido de aptidão profissional, se pagam logo à cabeça 365 euros, e mais 50 no fim do curso para despesas relacionadas com a emissão do certificado: isto exigido a gente que está à procura de trabalho e de um mínimo de dinheiro para sobreviver: 415 euros para fazer um curso de formação profissional, maioritariamente ministrado a quem já passou metade da sua vida a estudar e a adquirir competências. Enojou-me saber que mesmo que no fim do curso, se a pessoa conseguir dar formações, tem de passar recibos verdes à entidade empregadora, antes mesmo (meses antes) de receber o pagamento: uma formação deste tipo demora no minimo 3 meses a pagar a quem a ministrou.
Resultado do meu nojo? Mandei-os foder. O desespero pode existir, mas nada substitui a dignidade humana. Que parece ter sido esquecida por estes fantoches que governam. Só me resta, a mim e a muitos, seguir o caminho traçado pelos antigas gerações: ir embora daqui, deixar o país com aquilo e aqueles que merece. Procurar quem me valorize pelo que sei, e não por onde estou filiado. E o país continuará a afundar. E merece, com gente deste calibre ao leme.